Merece uma dose!

Merece uma dose! é como uma mesa de bar.

Um inverno que se vai

Depois de exatos 5 meses no Canadá, sentir hoje os pingos de chuva no meu rosto me fez notar o quão injusta fui com o inverno que aos poucos vai nos deixando. Confesso que maldisse esta estação centenas de vezes, que meu corpo queria mesmo era o ócio que só o frio propicia, que levantar pela manhã era chato demais, quando inverno é sinônimo de uma preguiça justificada…

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O primeiro contato com a neve, apesar de não me emocionar, me deixou extremamente feliz lembro-me agora. Ver os flocos caindo do céu, tirar a luva para sentí-los me fez rir muito nas primeiras semanas. Caminhar vagarosa pelas ruas, não que eu ande rápido em alguma situação, apreciando a cada dia uma nova paisagem me ajudou a refletir sobre coisas diversas. O primeiro tombo, literalmente, numa highway cheia de “caminhões 9 eixos”, me fez ter minha primeira crise de riso aqui, depois do susto é claro. Experimentar patinar no gelo, mesmo que com as mãos na borda, também foi mágico. Ir andar numa floresta coberta de neve e aquecer-se numa fogueira com um chá quentinho, renovou minha alma. Esquiar, cair, não conseguir levantar, subir uma “big hill” e ver um sol lindo se pondo me fez agradecer aos céus por estar ali naquele exato momento. Mas mesmo com tudo isso eu maldisse este inverno, maldisse seus 5 meses de duração, maldisse o frio, maldisse os dias nublados, maldisse o corvo, maldisse e maldisse.

Mas hoje os pingos de chuva no meu rosto e a esperança de uma primavera me trouxeram nostalgia de um inverno que nem se foi em definitivo.

Foram 5 meses onde tive que administrar para além dos meus dólares uma saudade crescente: da comida, das pessoas, dos lugares, de tudo que é quente. Foram 5 meses de um frio desolador, que congelou um pouco do meu carinho e tirou muito da minha paciência e hoje notei ter tido sempre alguém disposto a me dar o que eu não tinha a oferecer. Foram 5 meses de incessantes reclamações sobre esses programas de inverno, responsáveis por 99% de todo meu maldizer, e que por irronia fizeram meus olhos apreciar muita beleza. E aquele corvo que me agourava todas as manhãs é na verdade um herói por não ter fugido quando tudo ficou frio e sem vida. Nós sobrevivemos! O inverno longe dos que aquecem meu corpo, meu coração, minha alma, me vez ver que eu sou mais forte e serena do que podia imaginar.

Talvez fique tudo mais fácil com as flores da primavera ou talvez eu encontre motivos para maldizer a primavera também.

Vai parecer amargura mas foi, é e será só saudade.

Maise Soares

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This entry was posted on 04/01/2014 by in Happy Hour.

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