Merece uma dose!

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Xixi na cama pode salvar vidas

Quando eu tinha mais ou menos uns cincos anos, tive uma bactéria nos rins que quase me levou a morte. Sério, vocês poderiam ter sido privados da minha ilustre presença. O nome da bactéria era Staphylococcus, ou como diziam as enfermeiras “El Diabo Loiro”. É um tipo de bactéria que entra no organismo através de feridas ou arranhões, qualquer coisa que dificulte a proteção natural da nossa pele. ImagemEla pode se alojar em qualquer órgão do corpo e os sintomas, em regra, são febres acima de 39ºC, inchaço e vermelhidão do corpo. Você não sente exatamente dor no local em que ela se aloja, por isso é muito difícil detectar aonde ela se fixa.

Como já falei, o meu encosto se alojou nos rins e demorou muito para os médicos descobrirem o que eu tinha e gerava aqueles sintomas. Lembro te ter perdido vários banhos de mangueira, a cartilha do 9 e o dia do índio no Jardim II. Meus pais choravam escondidos e eu não queria comer nem bolo de chocolate. Concomitante a isso eu fazia xixi na cama.

O xixi na cama salvou minha vida. Descobriram que a bactéria estava alojada nos meus rins porque numa noite urinei na cama da minha mãe e o xixi era da cor de coca Imagemcola. Ela relatou ao médico e finalmente o tratamento eficaz iniciou. (E quando eu digo tratamento eficaz eu digo vinte injeções seguidas no bumbum, duas a cada dia).

Psicólogos, pediatras e Glorinha Kalil vão dizer que o xixi na cama não é legal, que em alguns casos é doença e tem que ser tratada. Mas, Glorinha, molhar os lençóis me rendeu mais alguns anos de vida.

Fato é que é muito difícil nos enquadrarmos completamente nas infinitas regras, exigências, normas, boas maneiras e preceitos morais desse mundão. Algumas pessoas tem mais dificuldades pra certas coisas do que outros seres humanos. Convenhamos que é muito frustrante ver alguém fazer ou viver bem algo que para nós exige muito esforço. Daí germinam os complexos de “eu não posso, não consigo, isso é impossível pra mim”.

Nessas situações diabas loiras a gente tem duas opções: a) lamentar-nos constantemente até todo mundo, inclusivo nós mesmos, no enfadarmos da gente, ou b) podemos lidar com a situação. É, a segunda opção é um saco, mas a primeira é um desrespeito consigo mesmo.

Lidar com a situação consiste, primeiramente, em reconhecer sua existência. Vivemos em negação plena com muito de nossos “defeitos” ou dificuldades. Quando reincidimos numa situação desgostosa, tendemos a dizer que é o nosso carma, que só atraímos esse tipo de coisa/pessoa. Pode até ser, né? Ou pode ser você viciado em atitudes, escolhas e comportamentos que, de certa forma, te deixam numa zona de conforto.

Reconhecido o problema, é hora de se perguntar o por que dele. Quase sempre eles tem uma origem que pode ser material, ou uma abstração da nossa mente. Quase sempre são frutos de uma frustração, ou, em casos mais sérios, uma violência. Se a gente consegue identificar esse ponto, que é muito difícil, é hora de tratar de trabalha-lo, contorna-lo, supera-lo. E aí não tem receita de bolo. Mas para mim tem algumas coisas essenciais nessa jornada: literatura (política e poética), música, yoga, amigos amorosos e dispostos, organização coletiva e o fantástico (mitos, astrologia, candomblé).

São esses elementos que me ajudam nesse caminho difícil de autoconhecimento, aceitação e Imagemsuperação, mas imagino que cada pessoa tem os seus métodos, o importante é avalia-los constantemente e ter clareza de que sempre se pode viver melhor e que felicidade é rotina, não um evento marcado. E para mim, coletiva, nunca individual.

Gente, eu não faço mais xixi na cama, se vocês estão se perguntando isso, mas ele salvou minha vida, sabe? Essa vergonha social, esse desconforto fisiológico salvou minha vida. Não queria escrever um post de autoajuda, mas, hoje, realmente acredito que as nossas dificuldades e aparentes impotências podem ser instrumentos de grande realização pessoal. Lidar com nossos problemas pode ser a coisa mais interessante e reveladora das nossas vidas e eu não acho justo guardar isso só pra mim. 🙂

Leonísia F.

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This entry was posted on 09/13/2012 by in Conversas ao pé do balcão.

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