Merece uma dose!

Merece uma dose! é como uma mesa de bar.

No meu tempo…

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Esse domingo descobri uma nova faceta da tecnologia, a gente pode fazer download nesse tal de soundcloud, que na minha cabeça era algo tão impalpável quanto uma nuvem mesmo. Mas não, parece que se condensa e se baixa música, feito chuva caindo. Daí que cá estou eu escutando essa delicinha de banda teresinense chamada Violante (véi, na boa, escuta aí).

Outra oportunidade que eu tive de conhecer bandas teresinenses foi no auge dos meus angustiantes quinze anos. Fugindo de pelo menos meia dúzia de problemas que tinham quebrado meu coraçãozinho adolescente, fui passar as férias naquelas calorosas terras. Foi quando fui apresentada à Narguilê Hidromecânico e ao Teófilo com fusão pela minha prima, que tinha os cd’s comprados pelas mãos dos artistas. Antigamente era assim. Já tenho idade para usar essa palavra grande, que parece ter teias de aranha.

A música não chegava com tanta facilidade assim. Mesmo quando as mp3 explodiram, não era qualquer banda que tinha seu repertório na rede mundial. Acho que era mais burocrático, não manjo muito disso, menino, sou do tempo da fita cassete!

Na real, tenho pena dessa juventude que nunca gravou uma fita cassete para presentear alguém querido. Gravar uma fita cassete só não é mais pessoal e delicado do que escrever uma carta, coisa que essa juventude dificilmente vai fazer também.Imagem

Gravar uma fita: escolher as ordens das músicas; apertar o rec e o stop nos momentos certos pra não engolir música, ou seja, ter que sincronizar o seu corpo e a sua mente ao tempo em que a música está sendo gravada, tocando no aparelho de som; trocar o lado A pelo lado B. Eu, uma verdadeira ateia da boca pra fora e crente ferrenha em transmissão de energia, acredito que as fitas cassetes tinham esse poder de trocar vibrações entre o doador e o receptor.

Eu descobri as fitas cassetes com meu pai, que só me deixava escutá-las, mas não tocá-las. Foi quando uma moça que trabalhava pra minha mãe foi embora e deixou suas fitas de forró lá em casa. Me apossei! Foi dessas felicidades clandestinas que Lispector descreve muito bem. Eram três fitas. Por cima das músicas de forró, comecei a gravar minhas fases musicais.

A maioria das gravações se davam pela rádio. E tinha isso! Ficar alerta pra hora em que a música esperada fosse anunciada correr para o gravador. Se me desse na telha gravar “maluco beleza” não era só clicar um botãozinho num site não. Às vezes, a gente tinha de virar noites esperando pelo tesouro.

ImagemHoje é diferente. Essa adolescência classe média tem mesmo tudo nas mãos, até as músicas! (Perceberam meu despeito?). Não há mais coração. Que graça tem escolher músicas para gravar pra alguém e, enquanto isso, ir descascar batatas ou cortar as unhas do pé? Não existe transmissão de energia nisso, gente. E tô ficando triste porque não sei o que foi feito das minhas fitas. Acho que fui cooptada para esse universo de discos coloridos e músicas que chovem em qualquer clima.

Eu sei, eu sei, afinal de contas, essa tecnologia toda me faz caminhar pelas ruas de Fortaleza ouvindo Violante. Não tenho que me esconder sob os 50ºC de Teresina para descobrir novas bandinhas. Fico me perguntando com o que essa meninada vai ficar saudosista, no meu tempo, a gente fazia uma verdadeira dança da chuva.

Leonísia F.

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5 comments on “No meu tempo…

  1. Lucas Vieira
    08/14/2012

    Leonísia, sua safada!

    Super me senti citado na tua postagem quando se referia à Teresina ou à Violante (o/).

    Tem coisas que o tempo muda e leva coisas boas, mas algumas coisas nunca mudam, como te ver compartilhando uma música bonita e na mesma hora eu entrar no teu face e dizer “tu precisa ouvir umas bandas piauienses”. É o carinho que a música sempre traz e a gente sempre dá o jeito de marcar nelas nossas emoções – desde relembrar uma adolescência até escrever esse texto no blogue.

    • Merece uma dose!
      08/14/2012

      sem tu essa postagem não existiria, coisa linda. :* embora seja um pouco mentira porque tenho surtos semanais de querer me esconder na lama de teresina. hihi

  2. Tom
    08/15/2012

    No primeiro semestre de 2007, fiquei bastante amigo de uma menina que cursava direito na Unifor. A gente passava horas no msn compartilhando um milhão de músicas que eu nem escuto mais. Madrugadas inteiras, um ouvindo uma música que o outro tinha acabado de mandar. Apresentei bandas que ela escutou masoquista durante semanas; ela me apresentou verdadeiros hinos de dor de cotovelo, que só viriam fazer sentido depois. Hoje mal falo com essa minha amiga, mas morro de saudades do que sentia naquelas madrugadas, do entendimento musical que rolava entre a gente. E da energia trocada. Sim, existia energia trocada entre arquivos de mp3 compartilhados pelo msn. Não era tão romântico quanto cartas e cassetes, mas sempre há do que sentir saudade.

  3. Paulo Vasco
    08/15/2012

    Este post, só pela imagem da cassete vale muito.
    Obrigado por me fazer viajar.

  4. Lucas Vieira
    08/16/2012

    ‘sempre há do que sentir saudade’.

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This entry was posted on 08/14/2012 by in Happy Hour.

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