Merece uma dose!

Merece uma dose! é como uma mesa de bar.

Recado aos extremistas: o cinza é o novo preto.

Cena do filme Crossroads, 1986.

Por estes dias aqui em casa, numa conversa e outra enquanto esperávamos o almoço ficar pronto, falávamos sobre o extremismo de alguns. Daqueles que mal respiram aliviados mesmo quando estão fora do círculo dos politicamente corretos. Gente previsível que sempre tem uma opinião formada sobre tudo e quando surge alguma questão, ainda que nova, nem sequer para por alguns instantes pra rever sob um ponto de vista diferente. Pra rir, ao menos.

Gente chata essa que não ri quando vê alguém escorregando no piso molhado pela chuva. Custo a acreditar em pessoas assim.  Sempre a postos!

Há quem diga que o meio termo é indecisão. Pior, há quem diga que é covardia e alienação não tomar a posição dos extremos. Direita ou esquerda? Certo ou Errado? Bem ou mal? Doce ou salgado? Amor ou ódio? Odeio extremismos. Ora, pra que ser 8 ou 80 se posso ser  36?

O branco é a junção de todas as cores, o preto é a ausência de cor. Há quem prefira a candura do branco, há quem ame o poder estético do preto. Gosto dos dois, junto e misturado. Gosto dos tons de cinza. O cinza do céu nublado, das nuances em fotografias P&B, da fumaça do cigarro em filmes noir… Gosto quando o açúcar neutraliza o sabor do salgado. Gosto do prazer de dar um beijo e dar um tiro. De me permitir ouvir funk após alguma dose qualquer e acordar no outro dia ouvindo Bethânia.

Imagino o quão cansativo deva ser vestir uma posição e manter-se firme a ela durante todo o tempo, o tempo todo. Mas eu não consigo. Diante de tantas possibilidades, eu não consigo. Mas acredito que deva ter o lado bom nisso – se apegar a uma ideia e seguir -, mas eu não me disponho a descobrir. Posso ir de um canto ao outro usufruindo o que eles têm a me oferecer.

Nem a ignorância do tradicionalismo cego nem a rebeldia sem causa e meta. Basta não se enquadrar a ponto de se acostumar, perdendo a indignação com as coisas. Nem santa nem puta, pode-se ser sexy sem ser vulgar. Não precisa pôr um terno pra mostrar-se confiável, nem perder a vaidade pra dizer que não é fútil. Sinceramente, tanto um bom terno como roupas com rasgos pré-fabricados me causam o mesmo pré-conceito. Eu fico com o barbudo bem vestido. Entre a solidão compartilhada e satisfação de estar só, ainda há os que interessam.

Numa conversa de mesa de bar, um amigo me diz que as pessoas perdidas, aquelas que não sabem o que quer, são as mais interessantes. Por conhecimento de causa, afirmo: isso pesa às vezes. Mas há sorrisos quando se transita entre um ponto e outro. O bom é que não vemos a balança parar e é justamente este desequilíbrio que nos dá firmeza, com os pés no chão e a cabeça nas nuvens.

Não poder crer em nada metafísico me assusta. Ter que acreditar num Deus que brinca com sua varinha mágica, também. Nem fé cega nem pé atrás, o que me tranquiliza é a linha tênue da crença que me permite dúvidas, mas que ainda assim me traz algumas certezas, da rajada de vento que me deixa pensar livremente, não os pensamentos dogmáticos entre quatro paredes que aprisiona e escraviza.

A menor distância entre dois pontos é uma reta. Mas eu me divirto mais quando há curvas. Se houver um labirinto? Há muitos caminhos, uma só saída, mas eu me disponho a procurar.

Carolina Rodrigues.

Com Lenine, em Labiata – Samba e leveza.

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This entry was posted on 03/28/2012 by in Conversas ao pé do balcão.

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