Merece uma dose!

Merece uma dose! é como uma mesa de bar.

Old gloomy sight

São quase cinco da manhã de uma segunda-feira e, talvez, hoje seja um dia bom para vir aqui dar a cara ao boteco. Não sei… Vamos ver… Good morning heartache!

Stalkear – de onde veio? Era uma vez nos anos 2000…  Na época do mIRC, por exemplo, o máximo que se podia fazer era abrir o who is de alguém e contentar-se com o mistério. De repente, as possibilidades se ampliaram, as pessoas começaram a se mostrar excessivamente na rede, e nós já não passamos sem espiar discretamente (ou não) a vida de alguns. Tem gente que faz isso pela televisão, pelas revistas de fofoca, ou mesmo ao vivo, acompanhando pessoas, fotografando de longe… Mas eu estou falando do stalker que segue com outros clicks.

Sim, as relações tem se tornado cada vez mais virtuais, então, sem dúvidas, as mesmíssimas coisas que fazemos na vida “real” são feitas por aqui. A diferença é que o meu target não precisa mais morar no apartamento da frente, pois as janelas pelas quais vou observá-lo são outras – bem mais dinâmicas, diga-se de passagem. Posso espiá-lo pelo facebook, pelo twitter, gtalk, blog, plataforma lattes, e até posso digitar seu nome completo no Google pra descobrir o que ele fez nas “vidas passadas”, inclusive judicialmente…

Às vezes tenho medo disso e saio deletando tudo: todas as fotos, todas as contas, todos os likes, enfim, todos os acessos que levem até o que penso que sou. Histeria – quem não tem? Mas a questão é outra… Percebo que stalkear nem sempre é um ato de desejo, de alegria, de real interesse pelo outro. Na verdade, trata-se, na maioria das vezes, de um sombrio ato de escárnio. Sombrio aqui, por favor, não é um adjetivo arraigado de moral. Sombrio apenas porque significa que enxergamos no outro algo que nos pertence mas que não conseguimos ver em nós mesmos. Quero dizer, parece que a “arte stalker” às vezes está muito mais voltada para a vigilância de desafetos, para a busca do deslize do outro, do cômico, do feio (que também nos pertence) do que pela vontade de estar perto.

O engraçado é que a gente sabe naturalmente dessa coisa toda, mas no alvoroço do olhar-de-todo-dia, não paramos pra pensar. Quantas vezes você entrou no www daquela criatura só pra rir secretamente da falta de senso dela? Quantas vezes você parou e percebeu que a falta de senso também é sua? Então… Pode ser sinal de insegurança, pode ser sinal de inveja, de desejo ou de amor… Mas, de qualquer forma, é humano, e reflete descaradamente aquilo que somos.

É… É preciso que se pense sobre o que se stalkeia. E quando a qualidade dos targets estiver bem ruinzinha, não tenha dúvidas: falta bar na sua vida. Aí você vai lá, vai stalkear ao vivo no bar… Porque toda heartache merece uma dose!

Escrito por Thalita, ao som de:

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This entry was posted on 03/19/2012 by in Conversas ao pé do balcão and tagged .

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