Merece uma dose!

Merece uma dose! é como uma mesa de bar.

Medianeras e “a solidão das pessoas nas capitais”.

Autor: Carolina Rodrigues

Foi tudo culpa dos franceses. Andava desanimada com o cinema europeu depois que andei errando a mão na escolha de alguns filmes franceses. Por causa disso resolvi limitar minhas buscas em sites de downloads, pra América do Sul, pois o cinema Argentino raramente me desaponta. Dessa vez não foi diferente.

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O filme em questão é: Medianeras – Buenos Aires na era do amor virtual. Sim, o título é brega, mas te explica se eu disser que é apenas a versão brasileira? A sinopse que eu li não falava quase nada do filme, não conhecia o diretor nem os protagonistas e achei o título um horror. Sem falar que não sabia o significado do termo Medianeras. Mas por causa do pôster, e só por causa dele, baixei.

Os protagonistas:

Martín, um webdesigner que depois de ter levado um pé na bunda da sua namorada, tendo que cuidar do cachorro que ela deixou, passa seus dias num apartamento minúsculo, na frente do computador, tem esporádicos encontros em bate-papos virtuais, quase sem nenhum contato com o mundo exterior e tem síndrome do pânico. Marina, arquiteta recém-formada que nunca projetou um prédio sequer, trabalha como vitrinista, é solitária e tem fobia de elevadores e multidões. Seu passatempo é buscar pelo Wally (Onde está Wally?) no livro, enquanto não o encontra na vida real. Buenos Aires, sua arquitetura, as fachadas inúteis e segregadoras dos prédios (isso é Medianeras) e como a estética de uma cidade influencia diretamente à vida dos seus habitantes.

“O que se pode esperar de uma cidade que dá as costas para o seu rio?”.

Os dois moram na mesma rua, em prédios opostos. Passam pelos mesmos lugares, mas nunca se notam. Nunca se conhecem. Presos em seus apartamentos, os dois vivem na mesma cidade, buscando por algo que não sabem o que é, mas que está do outro lado da rua. O roteiro é original? Não, não é. Mas pra quê coisa melhor do que outro jeito – um jeito melhor, de contar a mesma história?

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O filme fala das coisas que estamos cansados de saber: do desgaste das relações humanas, do individualismo de uma vida onde se tem 1 milhão de amigos nas redes sociais, se conhece uns dez e não se dá um “oi” pro vizinho ao lado; a solidão compartilhada;  a internet como válvula de escape pra minimizar  os danos de tais privações e, principalmente, as características sociais de uma época onde o “socializar”, apenas se for no www

São muitas as coisas que vemos ali e nos identificamos. São comuns, mas que dificilmente enxergamos. Isso é percebido na fotografia, na narração inicial em off, nos poucos diálogos… Tudo nos faz lembrar daquilo que fazemos e vemos diariamente.

“E todos esses fios na cidade, servem pra nos unir ou pra manter cada um no seu canto?”

Sabe quando você sai de casa e a primeira coisa que faz é pôr os óculos escuros e fones de ouvido, fazendo deles um escudo para os transeuntes da rua, faculdade, ônibus e trabalho? Pois é, esses objetos são algumas das nossas medianeras sociais portáteis.

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Ele não foi indicado a nenhuma categoria do Oscar, não é hollywoodiano, não saiu em 3D e não há atores famosos. Mas merece mais que uma dose, merece ser visto. 


Medianeras

Diretor e Roteirista: Gustavo Taretto

Atores: Javier DrolasPilar López de Ayala e Inés Efron

Download: http://www.omelhordatelona.biz/genero/drama/2284-medianeras.html

 

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One comment on “Medianeras e “a solidão das pessoas nas capitais”.

  1. Thalita
    06/21/2012

    Vi agorinha. Muito lindo! :˜˜

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This entry was posted on 03/13/2012 by in Tira-gosto and tagged .

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