Merece uma dose!

Merece uma dose! é como uma mesa de bar.

Laerte-se!

Depois de completa ausência no blog, resolvi retornar com um tema que anda causando murmurinho e abalando convicções de muitas pessoas: Laerte!

Primeira dúvida: é ele ou ela? Laerte é gay, travesti, crossdresser, transgênero, bi ou simplesmente uma personagem caricata? Ele usa calcinha? Se veste o tempo todo de mulher? Ela mija em pé ou sentada? E como assim ela tem uma namorada há sete anos, foi casada três vezes com mulheres e ainda tem dois filhos?

É, Laerte vem mexer com as nossas convicções. Ela personifica muitos antagonismos e rompe com todos os tabus de gênero com muita delicadeza, leveza e simplicidade. Muitos andam confundindo tudo o que ele representa e querem minimizá-lo como uma pessoa bizarra que resolveu se vestir de mulher desde 2009. E o curioso é que as pessoas se preocupam muito mais com seus hábitos privados do que com as questões de gênero impostas que ela vem discutir, basta ver as entrevistas que fazem com ele…

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Mas não, Laerte é muito mais do que se pensa. Ele não é só um cartunista gênio que entrou em crise profissional e montou-se para chamar atenção da mídia.

Laerte teve essa vontade aos 58 anos e vem destruindo as certezas masculinas e ameaçando os pênis dos machos dominadores. Laerte vem castrar certezas e dizer com o seu corpo: não compartimentalizem! Nada de macho ou fêmea, coisa de homem ou de mulher. Nada deve ser absoluto, predestinado ou essencial.

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As coisas são construídas e, não, naturais. O que existe é uma vontade dominadora que determina como os corpos devem se comportar, o que é ser homem, mulher, gay, travesti e o que cada um deles deve usar/falar/pensar/ser/consumir.

Tudo são papéis determinados por essa ordem social que opera silenciosamente dentro de cada um. E o masculino tem um peso muito forte: o peso do dominador.

Em contrapartida, esse mesmo peso está em crise e há muito tempo, graças às feministas. Exatamente aí onde entra a genialidade laertiana: seu corpo revela a crise do masculino.

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Logo o masculino, um gênero tão seguro de si, tão autônomo, tão independente e forte. Logo esse signo que ostenta um falo para se defender e uma armadura para proteger o ânus!

É. Laerte evidencia um outro gênero que se firma superior, que transcende. Tornou-se trans e transgrediu as propriedades heterossexista, branca e adoradora de um Deus. Ele mostra que o masculino não precisa se definir contra o feminino e tampouco precisa correr atrás de si para se afirmar.

Laerte representa um poder revolucionário que começa a se manifestar com mais vigor, reforçando as crises e causando rupturas de comportamentos.

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Mas o que ele quer evidenciar é só a intolerância que nos é aparentemente óbvia quando se preocupa com as transgêneros, com a diversidade sexual e com milhares de jovens que são obrigados a conviver com uma dor enorme de não poder ser o que desejam. Além disso, essa força chamada Laerte fala da violência, das agressões e de mortes praticadas contra homossexuais em defesa do macho e de um Estado criado para lhe defender. E ela só quer que a diversidade não seja espancada pelo machismo quando faz um convite libertário aos gêneros: travistam-se!

O problema é que a sociedade falocêntrica traveste o simples para ficar quase impossível de se ver o óbvio. Assim, para não reproduzir algumas opressões, Laerte-se!

Carlos Mourão.

P.S.: Como Laerte é um tema instigante e novo para mim, resolvi fazer mais alguns textos nas próximas semanas tratando sobre gênero e masculinidades, por isso este ficou introdutório e inconcluso. Quem quiser ver as tirinhas sobre Muriel, é só clicar aqui: http://murieltotal.zip.net/.

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This entry was posted on 03/11/2012 by in Conversas ao pé do balcão, Filosofia de bar and tagged .

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