Merece uma dose!

Merece uma dose! é como uma mesa de bar.

Considerações

Nem me passa pela cabeça
Pegar na mão desta geração
E ajudá-la a atravessar a rua de suas escolhas,
Como se fossem crianças
Despreocupadas com o atropelamento de suas consciências

Nem me passa pela cabeça
Cravar a bandeira de minha subjetividade
No coração de uma era
Como se o tempo pudesse ser devorado por um indivíduo

Nem me passa pela cabeça
Escrever o que nunca foi escrito,
Nos livros sagrados ou malditos
Como se um dogma fosse capaz de resistir ao caos

Nem me passa pela cabeça
Lançar as bombas atômicas para a extinção da raça
Como se a dor pudesse ser menor na obliteração

Nem me passa pela cabeça
Ser um anjo no sétimo céu
Ou um demônio no quinto dos infernos
Como se ficções pudessem equilibrar o grande peso da realidade

Nem me passa pela cabeça
Terminar este poema com versos perfeitos,
No estilo e na forma
Como se o lirismo fosse mais importante que a sujeira embaixo de nossas unhas

Nem me passa pela cabeça
Dizer o que deve passar pela sua cabeça,
E talvez essa seja a única coisa que considero passar pela minha cabeça.

D. Q. M.

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About Davi Queiroz Machado

Já morri duas vezes, e voltei antes do terceiro dia, não subi aos céus, não sentei à direita ou à esquerda de Deus pai todo poderoso. No entanto, estou num coito divino com as palavras. Como diria Manoel de Barros: “O Poeta é um ente que lambe as palavras e depois alucina”. E a Linguagem é um tema que me interessa muito. Seja literária, filosófica ou cinematográfica. Estou procurando uma síntese entre essa santa trindade, mas não quero me arriscar a fundar uma nova religião. Meus dogmas são diferentes do Dogma em que Lars Von Trier se meteu; minha filosofia ainda não foi defendida, pois ela é mais parecida com uma lança do que com um escudo; minha literatura não tem compromissos com fronteiras geográficas ou culturais. Estou eternamente na atuação do personagem de “Estranho no Ninho”: com a mente sã, e mesmo assim num hospício coletivo que chamamos de sociedade. Melhor assim, talvez eu ganhe um Oscar ou quem sabe uma Framboesa de Ouro. Mas o que eu quero mesmo é tomar, com vocês, intermináveis doses de poesia etílica.

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This entry was posted on 11/15/2011 by in Filosofia de bar.

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