Merece uma dose!

Merece uma dose! é como uma mesa de bar.

Futebol, uma arte.

Autor: Carolina Rodrigues

 

Talvez. Mas uma arte pós-moderna demais pro meu crítico gosto.

Não sei qual a influência que os seres humanos comuns dos outros países sofrem com o futebol. Mas nós brasileiros, se fôssemos amamentados por homens, diríamos “Pelé” antes de qualquer outra palavra. Mesmo não sendo  assim, o peso de nascer por estas bandas carrega outros tantos desprazeres.

Minha implicância com futebol não é por ser mulher  ou por não entender a técnica (se é que ela existe) usada num gol olímpico. Nada disso. Meu problema com o futebol é bem maior. E não pense que meus argumentos não tem embasamento empírico.

Já fui ao estádio UMA vez pra assistir (os que os fanáticos chamam de clássico) Sport Recife X Santa Cruz, na Ilha do Retiro (alguns entenderão). E nestes meus 26 anos de existência devo ter visto pela TV algumas centenas de partidas. Inclusive aquelas que me fizeram (leia-se: amigos, namorados, pai, avó e 8 tios) assistir quase que por obrigação. 

Assisto copas do mundo basicamente por três motivos:  os jogos do Brasil, pra não ficar alheia às conversas na fila do banco; os jogos da Argentina,  pela histórica rixa ainda por mim incompreendida e os jogos da Itália, por uma questão de análise antropológica e social: entender os fatores que fizeram com que esta seleção tenha tantos jogadores bonitos, e as outras seleções não.

Fanatismo. Este é o principal motivo – não o único -, pelo qual não gosto deste esporte. O que há de mais patético (salvo fazer coraçãozinho no show do Restart) que ver um torcedor em dia de jogo? Gente, me explica: pra que hastear a bandeira do time na fachada do prédio?; pra que passar o dia na fila pra comprar ingresso de um jogo que se repetirá dezenas de vezes?; pra que sair pelas ruas gritando enlouquecidamente o nome do time?; pra que morrer do coração, chorar e agredir o torcedor adversário só porque seu time tá perdendo?

Mas isso não é suficiente. Em caso de vitória, é preciso sair pelas ruas da cidade com a bandeira encobrindo o carro e o mascote de pelúcia  pendurado no retrovisor. E mesmo que não tenha desgrudado os olhos um segundo sequer do jogo, depois tem que ouvir os comentaristas de todos os canais, como se sua opinião sobre este algo tão complexo não fosse suficiente.

Sem falar que futebol tem que ser aos domingos. Por que o tédio comum a este dia da semana, por si só, não basta.

Jogadores. É impressão minha ou o problema de construção de frases com mais de um período é um problema comum aos jogadores deste esporte? Por que não basta ganhar a grana que nós não ganharíamos em toda a nossa pobre existência. Não. Eles tem que nos humilhar. Respondendo qualquer entrevista cuja reposta tem menos de 3 classes gramaticais, eles conseguem nos passar uma só mensagem: quem mandou acreditar que estudando se consegue algo? Tudo culpa da minha mãe.

Regras. Assim como filosofia de malandro, as regras do futebol foram criadas pra não serem cumpridas. Por um simples motivo: não dá pra entendê-las. Que culpa tem o cara que correu mais, e assim, ficou na linha à frente do penúltimo jogador adversário? O outro é que deveria tê-lo alcançado e feito o que tinha pra fazer: defender. Às mulheres, o nome disso é impedimento: algo que não se entende não pela complexidade, mas pela total falta de sentido.

Tempo. Se o tempo normal de uma partida é de 90 minutos, por que  ele varia de acordo com as ocorrências? Se é correto acrescentar minutos por causa de uma falta cometida, porque não fazer isso quando se faz um gol? Nos dois eventos tem bola parada: o primeiro pela advertência e punição de quem cometeu e sofreu a falta, o segundo pela comemoração de quem fez o gol. Ou seja, se faltas fazem parte do jogo, por que prolongar o jogo quando elas acontecem?

Assim como Djavan, aprendo japonês em braile mas não entendo futebol.

Ao longo dos anos, de uma forma ou de outra, estive cercada de pessoas fanáticas por futebol. No meu aniversário de 1 ano, por estar com um vestido vermelho, branco e azul, um tio me culpou pela derrota do Brasil. Como a derrota foi pra França, segundo ele, meu vestido deu azar. Como eu não tinha idade pra receber a culpa, como manda a lei, minha mãe foi responsabilizada. Como a maioria do meus amigos na adolescência  eram homens, eu ficava sozinha na hora do recreio porque eles me trocavam por qualquer coisa que rolasse no chão e lembrasse – ou não, uma bola. Atualmente tenho o desprazer de vivenciar as prévias de um ataque cardíaco cada vez que meu namorado assiste o Flamengo jogar.

Talvez eu devesse ver futebol só como futebol e imaginar que tudo isso que eu disse até aqui são características intrínsecas. Até mesmo a comercialização descarada e hiper-lucrativa em que se transformou. Talvez eu devesse parar mais vezes em frente a TV nas quartas à noite e domingos à tarde, e me limitar apenas a apreciar sua singularidade estética.

Mas enquanto isso não acontece, em dias de jogo o controle remoto será meu melhor amigo. Porque a única coisa boa do futebol, é a cerveja gelada.

 

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One comment on “Futebol, uma arte.

  1. Nádia
    08/12/2011

    e os jogos da Itália, por uma questão de análise antropológica e social: entender os fatores que fizeram com que esta seleção tenha tantos jogadores bonitos, e as outras seleções não.

    dei uma boa risada. 🙂

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This entry was posted on 08/09/2011 by in Um porre and tagged .

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