Merece uma dose!

Merece uma dose! é como uma mesa de bar.

Respeitem meus ouvidos, pobres!

Ryca, phyna, bem relacionada, estudada e tudo mais que uma garota da alta sociedade fortalezense precisa ser para andar nas melhores rodas da cidade. Ok? Ok! Enquanto meu dia não chega (¬¬) me valho do transporte coletivo para me deslocar na cidade. Eu, comerciários, empregadas domésticas, estudantes, trabalhadores da construção civil, todos lutando pelo direito de ir e vir no caos que é o Ant. Bezerra/Lagoa/Unifor. Linha esta, derivada da finada Av. Paranjana 1 e 2, famosa pelo conforto no seu arrudeio pela cidade bela.

Diante de um percurso de mais de 2 horas é natural que os usuários de tal transporte se valham de alguma atividade afim de que a viagem se torne suportável, quiçá agradável. Um cochilo, um livro, uma boa revista, um papo com o gatinho do lado, ta valendo quase tudo. Ouviu? QUASE tudo! Só não venha buzinar no meu ouvido o último lançamento do funk  carioca, ou gatinha manhosa, brega ou o caralho a quatro.

Não sou e ninguém é obrigado a ouvir a música, que você escolheu para chamar de sua. É falta de respeito, é invasão ao direito do outro de fazer qualquer coisa, inclusive dormir escoradinho na janela do ônibus sem ser perturbado pela mulher melancia na velocidade 6! Entendeu?! A budega lá da esquina, aquela do seu Zé, com certeza tem um fone num precinho camarada para lhe oferecer. Desabafei!

Só que dia desses, o que eu imaginava impossível acontecer, aconteceu: Celulares (sem fone) e caixas de som (do capeta) multiplicaram-se no recinto. Meus ouvidos foram entupidos com tudo que existe de pior na música brasileira ou não. De bonde do Tigrão a Justin Bieber. De Moleca Sem Vergonha a Leonardo. E ao fundo de todo aquele barulho infernal ouço João Gilberto e toda sua Insensatez. Só que aquilo que ouço com a leveza de uma pluma, me incomodou mais que “é o pente, é o pente, é o pente”. Daí constatei que não são as pessoas com gosto musical duvidoso que me irritam e sim qualquer um que me obrigue a ouvir o que eu não quero em lugar não apropriado.

Diante disso lembrei-me de algumas campanhas espalhadas pelo Orkut e Facebook: “Doe um fone a um funkeiro”, “ Doe um fone a um pagodeiro”, “Doe um fone a um bregueiro” e vi que ninguém pede: Doe um fone a um carinha descolado ouvindo MPB/Rock/Jazz/Bossa Nova, etc. Como se a pobreza de educação fosse exclusividade dos financeiramente pobres, como eu. Eu desço até o chão com a Gaiola das Popozudas, Ralo a Theca no chão com É o Tchan, Rodopio no Salão com Aviões do Forró, Curto aquela fossa com Alcione, tudo na hora e no local certo e sem desrespeitar o espaço e a vontade dos outros.

Então digo e repito: Respeitem meus ouvidos, pobres! Pobres de educação, de bom senso e de respeito. E clamo: -Usem seus fones. Meu bom humor agradece!

E para encerrar trago Insensatez, na voz do mestre João Gilberto para apreciarmos uma boa dose de perfeição, juntinhos, longe do calor (des)humano dos coletivos.

Composição: Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes

Maíse Soares.

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One comment on “Respeitem meus ouvidos, pobres!

  1. Eli
    08/04/2011

    Os usuários dos transporte público como um todo, não apenas ônibus, se identificariam facilmente ao ler o seu texto.
    É como você disse, não é o que se ouve, mas como se ouve: obrigando os outros a ouvir por tabela.

    Parabéns pelo texto!

    Eli.

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This entry was posted on 08/02/2011 by in Um porre and tagged .

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