Merece uma dose!

Merece uma dose! é como uma mesa de bar.

Cada um dá o que tem¹

Autor: Davi Queiroz Machado

“A pornochanchada quer ‘falar’ sobre sexo e erotismo; sedução e conquista; voyeurismo, romantismo, violência, dominação etc.” (Nuno César Abreu).

Eis uma grande parte traduzida de meus desejos. Esse ‘querer’ da pornochanchada reverbera em praticamente tudo o que escrevo. Usando um trocadilho que acabei de pensar: estou impregnado de sexo. Sem restrições. E não tenho porque falar de castidades se não fiz voto papal. Por isso estejam atentos ao aviso:

ESSE TEXTO CONTEM LINGUAJAR ERÓTICO-SEXUAL E UM VOCABULÁRIO CHEIO DE PALAVRAS OBSCENAS. (Amém!)

Já que realizamos o ritual introdutório, e porque não ‘penetrador’, do texto; podemos partir paras as preliminares. Cada um dá o que tem é uma Xerox bem batida do momento atual de minha escrita. Tenho três romances escritos: Charles; Vida Nua, Erros e Acertos. Apenas Charles passou pelo primeiro tratamento. Vida Nua foi escrito direto no computador, são 354 páginas. Mas dizem que o tamanho não é documento, mas como eu digo: depende do espaço da boceta. Vida Nua é mais que “um livro com mais de 300 páginas”, ainda não sei exatamente o que ele é, mas tenho a ligeira impressão que fala sobre o ser-humano; e se for, estou satisfeito. Erros e Acertos é mais que óbvio. Não tenho medo de ser óbvio. A existência é uma obviedade. Todo ser vivo obviamente percebe que está vivo; se morto estiver ou não tiver nascido, então não terá como saber algo sobre existir. Charles é um romance noir, policial em alguns momentos, trágico em todas as páginas. Mas isso são apenas debochadas sinopses sobre livros mais interessantes. No entanto, todos eles tem esse “querer falar” sobre sexo, erotismo e variações conceituais. Isso me interessa antes de qualquer coisa. Os personagens não são metafísicos ao ponto de esquecerem que possuem um pau, ou uma boceta. Eles não desperdiçam a chance de se masturbarem se isso for coerente em sua mise-en-scène. Seus corpos são levados a sério por mim; suas almas, muitas vezes degradadas, também entram no ritual narrativo. Assim como meu corpo e minha própria alma. Independente do final, minhas histórias não tem começo, elas sempre partem de um ponto de continuação daquelas vidas fictícias. É arbitrário, e desnecessário pra mim, bancar Deus; não tenho como “começar” algo se eu mesmo faço parte de um processo de continuidade de milhões e milhões de coisas. Mas aproveito com prazer a oportunidade de escrever. E além dos romances tenho mais coisas para dar. Mas isso fica para outro texto. Sei que cada um dá o que tem, mas ninguém disse que precisamos dar tudo na primeira vez.

Davi Queiroz Machado

¹. “Cada um dá o que tem” (Aníbal Massaini, 1975)
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About Davi Queiroz Machado

Já morri duas vezes, e voltei antes do terceiro dia, não subi aos céus, não sentei à direita ou à esquerda de Deus pai todo poderoso. No entanto, estou num coito divino com as palavras. Como diria Manoel de Barros: “O Poeta é um ente que lambe as palavras e depois alucina”. E a Linguagem é um tema que me interessa muito. Seja literária, filosófica ou cinematográfica. Estou procurando uma síntese entre essa santa trindade, mas não quero me arriscar a fundar uma nova religião. Meus dogmas são diferentes do Dogma em que Lars Von Trier se meteu; minha filosofia ainda não foi defendida, pois ela é mais parecida com uma lança do que com um escudo; minha literatura não tem compromissos com fronteiras geográficas ou culturais. Estou eternamente na atuação do personagem de “Estranho no Ninho”: com a mente sã, e mesmo assim num hospício coletivo que chamamos de sociedade. Melhor assim, talvez eu ganhe um Oscar ou quem sabe uma Framboesa de Ouro. Mas o que eu quero mesmo é tomar, com vocês, intermináveis doses de poesia etílica.

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This entry was posted on 07/19/2011 by in Filosofia de bar.

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