Merece uma dose!

Merece uma dose! é como uma mesa de bar.

Sob o signo de câncer

Autor: Carlos Mourão

Nasci sob o signo de câncer e essa semana completo 25 anos. 1/4 de século. E se levar em consideração a média de vida do homem brasileiro, já terei vivido 1/3 da minha vida. Nesse exato momento me preocupo com números, coisas que fiz e, em especial, as que ainda não fiz dentro desses números.

Uma canceriana amada que também faz os mesmos 25 anos no dia 17 disse-me algo que fiquei às voltas: essa idade nos revela algo forte para toda a vida. É a idade em que temos uma epifania. Será?

Alguém aí do outro lado já fez vinte e cinco anos e teve essa epifania? Perguntei a uma outra canceriana do dia 09, a Gisele, uma grande amiga, e ela me disse que não. Mas aí lembrou que lhe tinha acontecido algo bom: comprou seu primeiro carro.

Essa tal revelação se daria somente no plano material? Acredito que não. Isso, na verdade, é uma consequência de ser filho da classe média: formamo-nos em algo, começamos a trabalhar e, necessariamente, começamos a consumir/criar necessidade de consumo. Até aqui nada demais…

Então, para avaliar melhor isso, resolvi fazer o seguinte: pensar em coisas que gostaria de ter conquistado até aqui, aos vinte e cinco anos, e coisas que gostaria de conquistar até os quarenta. Fiquei pasmado com o resultado.

Boa parte das minhas pretensões (e acredito que da maioria da minha geração) diz respeito ao campo profissional. Fiquei pensando: quero fazer mestrado logo, morar fora, ser professor, advogar, passar em um concurso, comprar um bom apartamento, doutorado e sair definitivamente da liseira.

Mas espera, isso é só uma parte de mim. E a outra parte que nem conheço? Cadê a parte de ser um ser humano melhor e ajudar as criancinhas, não tem? E aquilo que aprendi com o Chaves: as pessoas boas devem amar seus inimigos? Para quem eu as vendi?

Parece que a gente se perde no meio disso tudo. As nossas necessidades materiais parecem que viram as nossas necessidades pessoais. Tudo se confunde a todo o tempo que acabamos nem sabendo mais do que realmente precisamos…

Se não tivesse que me dedicar a alguma profissão e produzir algo ($) para a sociedade (capitalista) na ilusão de me sentir útil, o que eu faria com meu tempo? Sendo mais sincero: se não precisasse vender minhas oito horas (que nem são oito mesmo…) para alguém, o que (não) faria?

A resposta é simples: seria eu mesmo. Ou ao menos teria esse tempo para descobrir o que é esse eu e não essa vontade alheia de eu.

Então, para dividir essa alegria e aguardar a revelação que nos chega aos vinte e cinco anos, só vim mesmo dividir esse discreto contentamento de estar vivo entre pessoas lindas.

Fiz-me votos simples com alguns desejos e enderecei para mim daqui a dez anos. O Carlos aos vinte e cinco anos, que já aprendeu muita coisa e mesmo assim nada sabe, deu algumas orientações para o futuro Carlos. (Talvez quando jovens sejamos até mais sábio, pois não temos tantos medos).

Há coisas que não podem ser esquecidas e que independem de idade. Pedi, dentre outras coisas, para ele sorrir com os olhos sempre, não deixar a gravata enforcá-lo e que todos os dias ele procure poesia nas coisas comuns.

Disse para ele também não deixar as margaridas migrarem com os ventos, que nada temos, somente somos, e que é melhor ser alegre que ser triste. Isso já é o suficiente para o eu do porvir.

No presente, presenteio-me sempre com meus amigos. (Não vou dar nomes, pois eles sabem quem são). E como disse Caio F: “Tenho amigos tão bonitos. Ninguém suspeita, mas sou uma pessoa muito rica”.

Doses eternas aos que dividem os dias comigo!

Carlos Mourão.

Obs.: ao escrever, segurei no coração e na mente os meus cancerianos que entram em uma nova revolução solar, são eles: Silas, meu pai, Igo, meu irmão mais velho, Enos, um amigo sorridente, Gisele, amiga desde um lindo começo de faculdade, Dina, quem cuidou da casa onde morei por anos, Maria Gabriela, um amor, Leonísia, minha pólvora colorida que sempre fica mais colorida, Dani, a mais doce das cancerianas, e quem mais for de água. Obrigado.

Obs².: grato à energia de câncer no mundo, pois sem ela os abraços seriam só um mero movimento.

Obs³: e obrigado à sincronicidade do universo em permitir que o meu aniversário de 25 anos seja numa sexta (de Oxalá, meu orixá de frente) e dia de lua cheia (regente de câncer). Isso, sim, merece uma dose!

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3 comments on “Sob o signo de câncer

  1. Leonísia F.
    07/11/2011

    faltou só a playlist, hein!?

  2. Gisele Magalhães
    07/11/2011

    Muito bom ser lembrada pelo meu amigo canceriano….
    E como a minha resposta foi citada, vou aproveitar para acalorar a discussão… Quando me perguntaram se eu tive alguma epifania, me veio de imediato a conquista do carro!!!
    Não que eu seja materialista, mas é que no plano pessoal, as epifanias são mais inconstantes…. Enquanto mulher, filha, amiga, irmã, etc, passo e passei por saborosas experiências ao longo da vida, que são minoradas quando me decepciono com as pessoas…
    E devido a essas inconstâncias, é mais fácil recordar das conquistas materiais…
    Mas, voltemos ao carro, ele não é só um bem de consumo, ao contrário, ele é um símbolo, pelo menos para mim, de vitória, pois fui capaz de comprá-lo às custas do meu trabalho. É sinônimo de independência e de liberdade… Valores estes almejados pelo ser humano desde que se entende por animal racional!!!
    Deixo aqui o meu brinde à sua epifania…

  3. Danielle Magalhaes
    07/12/2011

    Como sempre meu amigo,com poucas palavras fala tantoooo e toca no seu coração e fazendo vc refletir !!! Amo muitoo e para sempre!!!!
    Obrigada pela lembrança!!
    e c/ ctz comemorar 25 anos numa sexta e c lua cheia. Merece uma dose!

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This entry was posted on 07/11/2011 by in Filosofia de bar and tagged .

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